Missão Brasil – Etapa 1: Os mistérios do coração do Brasil

Desbravando lugares desconhecidos e misteriosos da Serra do Roncador .


Felipe e Henrique Martins no mirante da Serra do Roncador
Irmãos Felipe e Henrique Martins descansam durante a expedição.



Por Alice Morais


Começou o maior e tão esperado desafio da GoMartins: a Missão Brasil. Após meses de preparação física, mental e de habilidades de sobrevivência, os Irmãos Martins e sua equipe partiram de Campinas rumo ao desconhecido.

Com o objetivo de descobrir novas regiões com potencial de ecoturismo pelo Brasil, valorizar as riquezas naturais, culturais, raízes históricas e a biodiversidade de cada lugar, além de promover o ecoturismo como ferramenta de desenvolvimento, crescimento econômico e conservação ambiental, essa missão tem um grande propósito.

A inspiração para essa primeira etapa surgiu da admiração e da conexão dos Irmãos e da equipe com os indígenas do Território do Xingu. Uma amizade que surgiu há anos e é recheada de acontecimentos marcantes que, inclusive, viraram pauta da Revista Metrópole do mês de março 2021.


Capa da revista metrópole grupo RAC Campinas
Missão Brasil na Capa da Revista Metrópole - Matéria de Katia Fonseca

Os Irmãos Martins se inspiraram nos icônicos Irmãos Villas-boas, que largaram o conforto de suas casas e embarcaram na histórica expedição Roncador-Xingu (1943-1948), uma grande missão que mudou a trajetória do país. Criada por Getúlio Vargas, a expedição foi, inicialmente, planejada para explorar regiões ainda desconhecidas do Brasil Central e da Amazônia. Porém, durante a execução, eles descobriram que as terras não estavam abandonadas como acreditavam, existiam muitos habitantes que cuidavam, protegiam e dependiam delas para a sobrevivência, os povos indígenas.


Figuras dos irmãos villas-boas
A história dos Irmãos Villas-Boas inspirou a equipe da GoMartins

A primeira fase da Missão Brasil começou em Barra do Garças no Mato Grosso. Situada às margens do Rio Araguaia, na região conhecida como Vale do Araguaia, a cidade fica bem na fronteira com Goiás, a cerca de 380km de Goiânia e 500km da capital do estado Cuiabá. Por lá, a equipe encontrou Waxamani Mehinako, o indígena amigo pessoal dos irmãos, que acompanhará algumas etapas da missão para valorizar e enriquecer as experiências com os conhecimentos dos povos da floresta.


Foto indígena waxamani mehinako convidado para a missão brasil
Waxamani Mehinako, indígena do Xingú e amigo da equipe da GoMartins

Sérgio trilhos do roncador serra do roncador
Sérgio do Trilhos do Roncador em uma das descobertas da Missão Brasil.

Foram cerca de 20 dias desbravando vários pontos da região, mais de 2 mil quilômetros percorridos e muitas descobertas. A equipe ficou isolada no meio da mata, abrindo trilhas e encontrando vários tesouros escondidos, como cachoeiras e mirantes com vistas belíssimas. Contamos com a ajuda de dois especialistas locais para auxiliarem nos direcionamentos e contextualização histórica, o Ralph da Roncador Expedições e o Sergio da Trilhos do Roncador.


Ralph Roncador Expedições durante trilha no Parque Estadual da Serra Azul
Ralph do Roncador Expedições durante a trilha pelo Parque Estadual da Serra Azul

O complexo de Serras do Roncador tem cerca de 800km no total e vai de Barra do Garças até as proximidades da Serra do Cachimbo no Pará. O seu ponto inicial fica na Serra Azul, onde hoje funciona um Parque Estadual incrível, com várias cachoeiras e muito verde, bem no meio da cidade. Um fato curioso sobre esse parque é que no seu interior foi construído um “discoporto”, pois existem vários relatos de aparições de OVNIs e seres extraterrestres no local.


Discoporto OVNIS Parque estadual da serra azul
Equipe se diverte durante parada no Discoporto. O avistamento de OVNIs é comum na região.

O espaço é curioso e um pouco caricato, com várias réplicas de discos voadores e pinturas, tornou-se um ponto turístico bem visitado e já foi tema de diversas matérias jornalísticas. Histórias de aparições como essas são bem comuns em vários lugares da cidade segundo os moradores locais. Sendo verdade ou não, nós olhávamos para o céu sempre para não perder nenhuma oportunidade!


discoporto ovni parque estadual da serra azul
Imagem aérea do discoporto no Parque Estadual da Serra Azul

Parque Estadual da Serra Azul vista aérea
Vista área do Parque Estadual da Serra Azul

A região do Roncador é repleta de mistérios e curiosidades, desde a existência de um portal interdimensional que conecta a cidade à Macchu Picchu, no Peru, que teria sido descoberto pelo Coronel Percy Fawcett, até aparições de seres intraterrenos e flashes de luzes nas plantações durante a noite. Esse coronel desapareceu (junto com o seu filho e toda a sua equipe) durante uma missão na região, em 1925, chamada de “Cidade Perdida”. Essa história gera, até hoje, muitas especulações sobre a causa do desaparecimento e fortalece ainda mais as crenças dos moradores locais e dos visitantes sobre acontecimentos sobrenaturais.



Portal da Serra do Roncador
Portal da Serra do Roncador

As histórias e lendas da região são conhecidas internacionalmente, os turismos místicos e ufológicos são segmentos mais fortes na cidade, mas existem várias trilhas naturais e cachoeiras lindíssimas espalhadas por toda parte e, muitas delas, ainda inexploradas. E é isso que fomos descobrir!

Começamos a nossa aventura pela Fazenda Carajá, que fica a mais de 200km de distância do centro de Barra do Garças, sendo a maior parte do trecho percorrido por estrada de terra e pedras. Quem nos recebeu na sede foi o proprietário da fazenda, o Sr. João Carlos, um homem com grande consciência sobre conservação ambiental e ecoturismo, que utiliza apenas 30% do seu território total, então cerca de 70% da fazenda está em uma área preservada.

Nota: Um dos objetivos da Missão Brasil é mostrar como o ecoturismo pode ser uma boa fonte de renda e estimular os empresários a investirem na atividade com a criação de RPPNs, abertura de novos atrativos e, consequentemente, estimular a preservação ambiental. Então, ter a oportunidade de conversar com o Sr. José Carlos foi muito agregador nessa jornada.

Explorando o território nos arredores da fazenda, nos deparamos com diversos obstáculos pelo caminho e os conhecimentos do Waxamani foram primordiais nesses momentos. Utilizamos facas para criarmos as trilhas e, em alguns trechos, descemos com o auxílio de cordas. Fomos demarcando todo o percurso para que, futuramente, ele também possa ser visitado por outros aventureiros.


Henrique Martins desce de corda em busca do mirante da serra do roncador
Equipe enfrentou grandes desafios durante a primeira etapa da Missão Brasil.

Mãos de waxamani mehinako com cordas
Waxamani Mehinako prepara as cordas para descida no Roncador

Depois de algumas horas, todo o esforço foi recompensado. Chegamos em um mirante com uma vista belíssima para uma grande área de cerrado, de onde era possível avistar as formações rochosas que formam o cartão postal da Serra do Roncador. Estávamos em um dos pontos mais altos da região e, posteriormente, viemos a descobrir que foi um dos pontos de passagem de expedições Bandeirantes e, também, dos Irmãos Villas-boas.


Alice Morais aprecia a vista do mirante Villas-Boas na Serra do Roncador
Alice Morais aprecia a vista do mirante Villas-Boas na Serra do Roncador

Equipe em cima da pedra no mirante Villas-Boas
Equipe no mirante após horas de trilhas. Beleza incomparável.

Como o local não era visitado, ainda não tinha um nome. O nosso guia da região Sergio e o proprietário da Fazenda Carajá convidaram a nossa equipe para batizá-lo. Ficamos muito empolgados! E, como não poderia deixar de ser, fizemos uma homenagem aos personagens que nos inspiraram nessa aventura e demos o nome de Mirante dos Villas-boas.

Depois de percorrermos mais alguns quilômetros, parte de carro e a outra a pé, chegamos na nossa segunda descoberta do dia: uma cachoeira belíssima! Localizada em meio a um vale, bem escondida e enorme, está a chamada Cachoeira São Francisco. Ficamos algumas horas por lá observando a força daquelas quedas e a tranquilidade do ambiente. Foi o lugar perfeito para conseguirmos repor as energias e descansar um pouco antes de retornarmos para a base da equipe e continuarmos a jornada.


Cachoeira do Parque Estadual da Serra Azul
Uma das 13 Cachoeiras do Parque Estadual da Serra Azul

A nossa próxima parada foi a Unidade de Conservação do Parque da Serra Azul. Conversamos com a gerente responsável, a Cristiane Schnepfleitner, que nos contou toda a história e detalhes sobre o local, que possui cerca de 13 cachoeiras, algumas liberadas para banho e outras não, e sobre a variada biodiversidade proveniente do bioma do cerrado.


Alice conversa com a gerente do Parque Cristiane Schnepfleitner
Alice conversa com a gerente do Parque Cristiane Schnepfleitner


Após muita trilha a equipe se refresca na cachoeira do Parque da Serra Azul
Após muita trilha a equipe se refresca na cachoeira do Parque da Serra Azul

No passado, os povos Bororós chamavam o local de Morro dos Pássaros, por ter uma variedade imensa na região. Foram identificadas cerca de 800 espécies de plantas e 180 espécies de aves no local. Além disso, existe um peixe chamado de Astyanax xavante que é endêmico do Córrego Avoadeira, o maior riacho do parque.


O parque também possui uma área de educação ambiental da Secretaria de Meio Ambiente onde é possível acessar os conteúdos e informações históricas, como fósseis, formação geológica e até uma réplica do solo de uma caverna da região chamada de “Gruta dos Pezinhos”, onde encontraram diversas pegadas que não são identificadas como de seres humanos. A ideia é que os visitantes tenham a interação com a natureza, mas também aprendam a história e a cultura da região, tornando-se multiplicadores dessas informações. E a entrada é gratuita!



Gruta dos Pezinhos ainda intriga cientistas.
Gruta dos Pezinhos ainda intriga cientistas.

Em busca do fervedouro perdido...


Saímos da cidade rumo a uma região remota, próxima de várias aldeias Xavantes, onde a Do Carmo, uma artesã que mora em Barra do Garças, foi criada. Ela nos informou que havia um fervedouro lindíssimo que ela mergulhava quando criança e que nunca mais foi visto. Achamos a história muito interessante e uma excelente tarefa para a nossa missão!


Equipe em busca do fervedouro desaparecido.
Equipe em busca do fervedouro desaparecido.

Pegamos a estrada sem um planejamento muito definido, pois tínhamos pouquíssimas informações e, depois de mais de 200km percorridos, paramos em um pequeno vilarejo na beira da estrada e encontramos o Sr. Jairo que, muito solícito, nos explicou como chegar no ponto onde já existiu um fervedouro e uma cachoeira, mas que, segundo ele, o fervedouro teria mudado de lugar. Agradecemos a ajuda e caímos na estrada novamente, agora, com alguma direção para seguir.


Carro passa por atoleiro no mato grosso.
Equipe enfrentou grandes desafios nas estradas de terra da região.

Depois de muitos quilômetros, vários contratempos e atoleiros, uma aventura e tanto, conseguimos chegar na fazenda da Dona Maria. Descobrimos que o fervedouro, infelizmente, não existe mais...ele secou por inteiro em função de um garimpo ilegal que surgiu próximo da região. A neta da D. Maria, a Daiane, nos acompanhou pela trilha para conhecermos a área da propriedade e nos informou que é muito comum o avistamento de várias espécies de animais silvestres, inclusive, onças pintadas e melânicas no local.

Conversa com Daiane, neta de D. Maria, sobre o aparecimento das onças na região da fazenda.
Conversa com Daiane, neta de D. Maria, sobre o aparecimento das onças na região da fazenda.

Perguntamos sobre a história da família e como haviam chegado ali, então ela contou que seu bisavô veio para a região na década de 30, quando só existiam as aldeias indígenas nas redondezas, ou seja, ele foi um grande desbravador. O primeiro vizinho veio a aparecer para cuidar das linhas de telégrafo, apenas nos tempos do Marechal Rondon, então aquele lugar, mesmo sendo tão remoto, é o lar da família e eles não se imaginam em outro cenário longe dali.


Pegadas em toda a região mostram a presença de diversas espécies da fauna brasileira.
Pegadas em toda a região mostram a presença de diversas espécies da fauna brasileira.

Não encontramos o fervedouro, mas caminhamos até um rio que passa pela fazenda e nos deparamos com um lugar magnífico! Como estávamos no período de cheia, a água estava bem agitada e turva, mas não impediu a nossa equipe de dar um mergulho para recuperar as energias. E o especialista que nos acompanhava nessa jornada, o Ralph da Roncador Expedições, ainda identificou um excelente ponto para atividades de turismo de aventura, como rafting e boia cross. Ficamos muito animados!


Após um dia de muitos desafios nossa equipe está pronta para voltar para casa.
Após um dia de muitos desafios nossa equipe está pronta para voltar para casa.

A nossa missão nessa primeira etapa era desbravar lugares desconhecidos e com grande potencial para o ecoturismo, além de conhecer novas pessoas, histórias marcantes e aprender muito. Além disso, deixar um legado de novos olhares e possibilidades para o futuro. Consideramos que a primeira etapa foi concluída com muito sucesso e vocês podem acompanhar um pouco mais através das nossas redes sociais.

Nos vemos na próxima missão!


Realização:

GoMartins

Viajecer


Patrocínio:

Movida Aluguel de Carros


Operação:

Roncador Expedições

Trilhos do Roncador


Apoio:

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