Curaçao: quatro belezas para aproveitar em terra e no mar

Atualizado: 24 de Mai de 2019

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Experiências que se tornam únicas porque são compartilhadas.

Thaís Mendonça - Jornalista, Mergulhadora e colaboradora da GoMartins

Por: Thaís Mendonça

Curaçao, a ilha do ABC do Caribe - Aruba, Bonaire, Curaçao - que escolhi, ou que me escolheu, para ficar mais tempo do que outros destinos desde que comecei a viver de um trabalho que nunca imaginei fazer. Estar no mar é sempre diferente. Meu mar é o de montanhas de Minas Gerais, e sempre será o do meu coração, mas o azul me traz a fluidez, um tipo de reencontro comigo mesma em tempos que estamos tão conectados a aparelhos eletrônicos, assistindo à vidas distantes, gente que conhecemos e gente que provavelmente nunca cruzará olhares com os nossos. Por um lado é bom; ter a família e os amigos do outro lado da tela e saber que estão bem, que algumas coisas vão mudando, mas a essência é a mesma. Por outro, perdemos tanto a conexão com aqueles que estão à nossa volta e com aquela pessoa que tentamos conhecer todos os dias, dentro da gente.

Em alguns momentos me pego pensando na saudade, mas a verdade é que nunca estamos sozinhos. Mesmo que a viagem seja só sua, com mochila nas costas e sem saber ao certo onde será o próximo destino, pessoas de todos os tipos vão cruzar o seu caminho e compartilhar das suas aventuras.

Para falar do destino de hoje eu elegi quatro lugares que não são belos só pela paisagem, mas principalmente pelas pessoas que dividiram histórias e momentos comigo.

O famoso Watamula Hole / Foto: Thaís Mendonça

Watamula Hole - A imensidão que passa despercebida

Na primeira vez que estive nesse ponto turístico localizado na parte norte da ilha e, provavelmente em muitas das experiências que já tive ao longo da vida, deixei de perceber algo que estava bem debaixo do meu nariz. Uma amiga conseguiu ver este buraco de mais ou menos oito metros de diâmetro somente na terceira tentativa. Me pergunto quantas vezes deixamos passar oportunidades, lugares, pessoas, simplesmente pelo fato de não estarmos atentos ao que está à nossa volta. Watamula foi assim. Precisei de duas visitas para notar a grandiosidade da natureza. Que bom que sempre temos outras chances, talvez até nos mesmos lugares, mas com um olhar transformado. Para chegar a este cenário de formação rochosa, um tanto diferente do azul celeste das praias de Curaçao, é necessário ir de carro por estrada de terra entre a vegetação. Lá também nos deparamos com pedras empilhadas, como em São Tomé das Letras no meu Estado de montanhas.


Pedras Empilhadas - Watamula / Foto: Thaís Mendonça



Blue Room - O pedacinho azul em meio à imensidão

O Blue Room é também outra beleza escondida que tive o prazer de apresentar a um casal de amigos. Saímos sem ter uma programação definida, mas sabíamos que um dos destinos seria este “quarto” azul na parte oeste da ilha. Eles não estavam tão seguros quando disse que teriam que pular na água de uma altura de aproximadamente quatro metros. Amizade também é confiança, então caminhamos por mais ou menos quinze minutos da praia de Santa Cruz até Santu Pretu - até pararmos em frente ao Blue Room. Eu não saltei, fui descendo pelas pedras. Meu amigo saltou rapidamente e minha amiga pensou demais. Resolveu fazer como eu e encontrar o azul passo a passo. Na hora de entrar na caverna é preciso dar um mergulho raso, mas quando não se sabe o que vai encontrar do outro lado, damos uma titubeada.

The Blue Room / Foto: Turtle and Ray

Assim como na vida, a vontade de se superar é maior, então fomos os três para o interior da caverna. Como eu já sabia onde estava “pisando”, levantei a cabeça depois de mergulhar por quatro segundos e estava naquela paz onde não havia ninguém. Meus amigos chegaram logo depois e também ficaram encantados com o lugar, mas depois de um certo receio por não saberem quando seria o encontro com o ar. Segundos às vezes são eternidade. Passamos cerca de uma hora ali e foi maravilhoso poder compartilhar esse momento de descobrimento e superação. Quantas vezes temos medo num primeiro instante, de mudanças, de não sermos capazes, e quando arriscamos e damos o primeiro passo nos deparamos com conquistas tão inesperadas que só foram possíveis porque saímos do lugar de conforto.


Christoffel - De volta às montanhas

Eram cinco horas da manhã e eu fiquei pensando se deveria fazer essa trilha sozinha. Já fiz algumas que, em uma análise posterior, talvez pesasse um pouco mais as possibilidades. Estar na natureza me traz uma sensação tão grande de liberdade. Chegando ao Parque Nacional Christoffel por volta das sete da manhã subi a trilha íngreme em direção ao pico da montanha. No caminho conheci uma família. Pais que visitavam o filho em Curaçao resolveram encarar a aventura e acabamos subindo juntos. Após uma hora de caminhada chegamos ao cume, que fica a 372 metros de altura. E a paisagem, como descrever?

Parque Nacional Christoffel / Foto: Thaís Mendonça

Como se o mar começasse onde as montanhas terminam e em tonalidades de verde e azul que ficam incontáveis. O Parque Nacional tem outras atrações que são informadas na portaria e fica aberto das 6 da manhã até às 14h. O visitante paga 14.50 dólares para a entrada.


Mergulho - De volta ao interior

Sempre digo que mergulhar é como uma meditação para mim. Embora já bem familiar aos equipamentos, tanto de mergulho quanto de fotografia e filmagem, é embaixo d’água que me sinto mais presente e mais apta a aproveitar aqueles minutos de contato com a vida marinha. Espero que continue assim e que não inventem uma forma de Wi-Fi de águas profundas para não acabar com a brincadeira. É lá, no azul, que apesar dos outros mergulhadores ao seu redor, você, em silêncio, vibra com as sutilezas de fora e de dentro. Você, seu pensamento e as delicadezas do oceano.


Mergulho em Curaçau / Foto: Turtle and Ray

Curaçao tem mais de 70 pontos de mergulho e a ilha é conhecida pelas pequenas formas de vida marinha que podem ser vistas a cada imersão. Vai do Bubble Maker - crianças de 8 a 10 anos que tem o primeiro contato com o mergulho, Discover Scuba Diving, para crianças maiores de 10 anos e adultos de todas as faixas etárias a mergulhadores certificados que podem descobrir as belezas do lugar com mergulhos em dupla ou guiados.


Todas essas quatro experiências foram, em algum momento, compartilhadas. Você e as memórias que carrega, histórias que foram vividas com amigos, com família, com gente que viu uma vez na vida, com gente que nunca te viu, mas acompanha de longe suas aventuras. Às vezes algumas coisas irão passar despercebidas e se tornarão histórias engraçadas, como em Watamula. Em outros momentos, você terá medo mas irá superá-lo, como no Blue Room. Se caminhar atento vai se sentir em casa e conectar-se com suas raízes, com o que faz seu coração bater mais forte, como em Christoffel, e, como no mergulho, vai voltar a atenção para dentro de você mesmo e ver que tudo começa de lá.


Thaís Mendonça

thathamendonca@gmail.com

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